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Qual a importância e os efeitos dos exercícios físicos em pacientes com síndrome do pânico?

25.11.2011

         

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Por: Raphael Marques CREF 005288-G / RJ (Ex-coordenador da Academia Nissei/RJ)

 

Dentre os transtornos mentais mais comuns estão os Transtornos de Ansiedade e suas várias manifestações (Zohar e Westenberg, 2000). O Transtorno de Pânico (TP) é um dos principais exemplos de ansiedade patológica em humanos descritos pelo DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), elaborado pela American Psychiatric Association em 1994. Segundo este manual, o TP é caracterizado essencialmentepela ocorrência de Ataques de Pânico(intenso medo ou desconforto, acompanhados por sintomas somáticos ou cognitivos, que são: taquicardia; sudorese; tremores; falta de ar ou sufocamento; asfixia; dor ou desconforto torácico; náusea ou desconforto abdominal; tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio; desrealização; despersonalização; medo de perder o controle ou de enlouquecer; medo de morrer; parestesias; calafrios ou ondas de calor) recorrentes e inesperados, seguidos por pelo menos um mês de preocupação persistente acerca de ter outro Ataque de Pânico, preocupação sobre as possíveis implicações ou consequências dos ataques, ou uma alteração comportamental correlata significativa.O medo fisiológico geralmente é evocado por um estímulo aversivo, também chamado de estressor e é manifestado por uma resposta conhecida como resposta de estresse. Esta resposta é a reação coordenada que ocorre em função de estímulos ameaçadores e é caracterizada pelos seguintes aspectos: comportamento de evitação ou esquiva; aumento da vigilância e do alerta; ativação do ramo simpático do SNA (Sistema Neurvoso Autônomo); maior liberação de cortisol pelas glândulas adrenais (Bear, Connors et al., 2008). O TP é a expressão patológica do medo fisiológico, que gera a desregulação do SNA e, consequentemente,das manifestações autonômicas e seus respectivos sintomas somáticos.

Tanto a intervenção farmacológica,quanto a terapiacognitivo-comportamental (TCC) têm se mostrado e ficazes no tratamento do TP. O tratamento farmacológicotem se centrado, principalmente, nos benzodiazepínicos e nos antidepressivos (Zohar e Westenberg, 2000).Ainda há muito a ser investigado para que o exercício físico com fins terapêuticos, em suas muitas modalidades e variáveis (frequência, volume, intensidade, etc.), possa ser consistentemente estabelecido pela literatura como um possível tratamento, mesmo que adjunto, para o TP. Poucos estudos têm avaliado a relação dose-resposta ideal para prevenir ou reduzir os sintomas de ansiedade (Zoeller, 2007)

No entanto, mesmo sem um consenso na literatura a respeito do melhor protocolo de exercícios a ser empregado para a atenuação dos sintomas ou como tratamento efetivo para o TP, um corpo consistente de evidências tem mostrado vários efeitos benéficos dos exercícios aeróbios sobre o mesmo.Broocks, Bandelow et al. (1998) compararam os efeitos terapêuticos (ansiolíticos) da corrida durante 10 semanas de treinamento (ao ar livre, num percurso de 4 milhas, de 3 à 4 vezes por semana, com a administração de Clomipramina (antidepressivo) e com o grupo que recebeu o placebo pelo mesmo período e, obtiveram os seguintes resultados: o exercício aeróbio regular promoveu efeitos ansiolíticos estatisticamente significativos em relação ao placebo e semelhantes aos benefícios promovidos pela Clomipramina. Muotri, Nunes et al. (2007)propuseram o emprego de exercícios aeróbios como estímulos interoceptivos, ou seja, gerando uma exposição aos sintomas somáticos característicos dos Ataques de Pânico, como tratamento para o TP.Devido à convergência informacional dos estudos disponíveis até o momento, é plausível concluir que exercícios aeróbios regulares possam exercer efeitos ansiolíticos significativos e gerar outras adaptações fisiológicas benéficas em pacientes com TP

Mas ainda há uma deficiência de informações consistentes na literatura que apontem a melhor abordagem a ser adotada para maximizar os efeitos dos exercícios com fins terapêuticos, atuando de forma adjunta às terapias já consagradas e comumente utilizadas para o tratamento eficaz do TP ou mesmo, reduzindo a necessidade da intervenção farmacológica e promovendo uma mudança saudável de hábitos na vida destes pacientes.