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Papel da atividade física no combate à obesidade

24.10.2011

 Por Wagner Silva Dantas

A transmissão familiar da obesidade é bastante conhecida. No entanto, membros de uma mesma família estão expostos a hábitos culturais e dietéticos que influenciam individualmente no ganho de peso. Isto evidencia que, além da herança genética, o fator ambiental desempenha um papel importante no desenvolvimento
da obesidade. Desse modo, orientações clínicas interdisciplinares, incluindo o exercício físico individualizado, tornam-se uma importante estratégia para o tratamento, controle e acompanhamento de problemas que normalmente decorrem da doença. Um estilo de vida sedentário promove o acúmulo de gordura corporal. A atividade física, em contrapartida, resulta em peso e composição corporal saudáveis em virtude de um aumento no gasto diário total de energia, por causa do custo calórico direto da sessão de atividade física e da elevação do dispêndio energético após esse período de atividade. Ao término de uma sessão de exercícios, o consumo de oxigênio e, portanto, a taxa metabólica, se mantêm elevados, acima do nível de repouso, o que é chamado de consumo de oxigênio pós-exercício excessivo. Do ponto de vista prático, a intensidade e a duração de uma única sessão de atividade física poderiam produzir um aumento na taxa metabólica pós-exercício de aproximadamente 10 a 50 kcal, acelerando a redução do peso corporal. O tipo de atividade física envolvida produz determinados benefícios nos diversos componentes metabólicos do paciente
obeso:

 Os exercícios aeróbios (por exemplo, a caminhada) aumentam o transporte de oxigênio para os músculos exercitados que, por sua vez, promovem maior utilização dos estoques de gordura como fonte energética. Isso facilitaria a redução da quantidade de massa corporal constituída de gordura, diminuindo assim o peso corporal. 

Os exercícios aeróbios estão associados a reduções significativas na quantidade de gordura da região abdominal. Se praticados regularmente, essa redução é capaz de diminuir os valores de pressão arterial e aumentar a sensibilidade à ação da insulina no tecido adiposo, muscular e hepático dos pacientes obesos. 

O aumento da capacidade cardiopulmonar reduz o risco demorbidade e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares. 

Os exercícios aeróbios melhoram o perfil lípidico a partir de mudanças na atividade de uma enzima conhecida como lipase lipoproteica, responsável por reduzir a molécula de gordura em partes menores para a produção de energia no sistema músculo-esquelético. 

Embora quando aplicado de forma isolada possa apresentar uma modesta contribuição na redução da gordura corporal, o exercício resistido (como a musculação) contribui para o aumento do gasto calórico diário, por intermédio do próprio custo energético da execução desse exercício.

Tanto o exercício aeróbio quanto o resistido aumentam o calibre dos vasos sanguíneos do músculo esquelético em pacientes obesos e, conseqüentemente, melhoram a distribuição do fluxo sanguíneo, diminuindo, portanto, o risco de acidentes cardiovasculares.

 
O NOTA (Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares do Hospital Sírio Libanês)  conta com uma equipe multidisciplinar altamente qualificada capaz de orientar o paciente obeso também nas questões relacionadas à atividade física.