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Pesquisadores descobrem como ativar a gordura "boa"

29.09.2011

 A gordura marrom, que queima energia, poderia desempenhar um papel importante na luta contra a epidemia de obesidade no mundo

Obesidade: cientistas esperam usar a gordura marrom para combater o sobrepeso em adultos

Obesidade: cientistas esperam usar a gordura marrom para combater o sobrepeso em adultos (Stockbyte/Thinkstock)

Pesquisadores do Joslin Diabetes Center, em Boston, nos Estados Unidos, conseguiram identificar pela primeira vez duas vias moleculares fundamentais para a ativação da gordura marrom, chamada de "gordura boa", no organismo. Como essa gordura leva a um gasto calórico mais elevado, a descoberta pode ser um passo importante na luta contra as epidemias de obesidade e diabetes pelo mundo.

Saiba mais:

GORDURA MARROM
O tecido adiposo marrom, também chamado de gordura "boa", é abundante em recém-nascidos e em crianças até a puberdade. Sua principal função é manter a temperatura do corpo. Ao transformar a gordura corporal em calor, esse tecido libera a energia excedente, em vez de acumulá-la.

Publicado no periódico médicoEndocrinology, o estudo encontrou dois caminhos que levam à ativação da proteína necdin, responsável por impedir que a gordura marrom cresça. Com essa informação, procurou-se, então, descobrir outros caminhos de ação: seja para inativar ou ativar a necdin pelo estímulo a duas proteínas distintas. "Essa é uma peça muito importante do quebra-cabeça", diz Aaron Cypess, coordenador da pesquisa. "A questão é que temos de aprender a cultivar essas células de gordura marrom. Há muita informação ainda faltando, mas preenchemos alguns detalhes importantes."

De acordo com a pesquisa, a descoberta pode ajudar a desenvolver intervenções com o uso da gordura marrom para o tratamento da obesidade e do diabetes. Uma das idéias levantadas seria a de cultivar a gordura marrom em laboratório e transplantá-la para o corpo de pessoas que necessitem dela. Outra, poderia ser o desenvolvimento de drogas que estimulem o crescimento desse tecido no organismo.

Estudos anteriores – A pesquisa é a mais recente de uma série de estudos que vem sendo coordenador por Aaron Cypess e Yu-Hua Tseng. Em julho, Cypess já demonstrado que a gordura marrom pode ser vista em exames de imagem em cerca de metade das crianças até a puberdade. Depois desse período, ela começaria a desaparecer, de acordo com um estudo publicado no Journal of Pediatrics.

Em 2009, Cypess e sua equipe demonstraram pela primeira vez, em pesquisa no New England Journal of Medicine, que a gordura marrom é ativa em adultos. Anteriormente, se acreditava que a gordura marrom estava presente apenas em bebês e crianças. O estudo, no entanto, mostrou que ela foi encontrada em 5,4% de todos os adultos, com índices mais elevados nas mulheres.

Um estudo de 2008 publicado na Nature por Tseng descobriu que uma proteína chamada BMP7 podia induzir a formação de gordura marrom. Outra pesquisa recente, de 2011, identificou células precursoras em camundongos que poderiam ser ativadas pela BMP7 e outros indutores para se transformarem em gordura marrom.

Em relação à pequena porcentagem de pessoas onde a gordura marrom foi detectada no estudo de 2009, Tseng diz que é possível que uma porcentagem muito mais alta de pessoas tenha a gordura marrom – possivelmente todo mundo – mas que ela não foi possível de se detectar porque os aparelhos usados não eram sensíveis o suficiente ou porque ela pode não ter sido ativa na maioria das pessoas. "Gordura marrom queima energia, é um tecido especial. Estes estudos abriram uma nova avenida para o tratamento da obesidade e suas doenças relacionadas", diz Tseng.

Fonte: Veja saúde 22 SET 11